terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Cazuza

    

  Eu amo Cazuza. Cazuza era foda, era lindo, era perfeito com todas as imperfeições. Filho único, cheio de mimos, vontades, vida própria, achava que tudo era inconstante e morria de medo do amor. Tinha medo de sofrer e foi ter HIV. Uma grande ironia da vida. Mas ele continua perfeito simplesmente porque era ele. Sim, ele não devia ter fumado, usado drogas, tomar remédios do HIV enquanto bebia Whisky. Mas ele vivia em uma geração em que fumar é bonito, maconha combina com rock e sexo devia ser para todos, com todos, de todos os jeitos possíveis.
  Vocês conseguem imaginar Cazuza com sessenta anos, em uma praia do Rio de Janeiro fumando e olhando o sol ir embora? Ou um show como o de trinta anos do Kid Abelha, ou ele forte, saudável com uma doença em que ele sobreviveu? Eu queria muito que ele estivesse aqui, escrevendo mais, sorrindo mais, mostrando o quanto a vida é linda. Amar a vida era um dos dons que ele tinha. Cantar o que ele queria que mudasse era outro, ser ele era o mais lindo.
  Ninguém é si próprio hoje. Fofoca, falcatrua, roubo, revolta e toda asujeira desse planeta. Quando você quer que alguem vai embora você diz, fica.. e depois fecha a porta o mais rapido possivel. Ou você chama seu professor de lindo, diz que ele sabe explicar e até mexe com ele no shopping para ele aumentar sua nota. E você nem gosta dele, quando acabar o ano você vai apagar ele da cabeça, dar graças a Deus e ponto. Cazuza nunca faria uma coisas dessas. Ele colocava pra fora, sorria pro mundo e se mostrava para doer em quem quisesse.
                                       

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